quinta-feira, 18 de junho de 2009

Que rês haverá...


Começava a despontar a Primavera quando Jesus e os seus discípulos resolveram iniciar uma nova jornada por terras da Galileia.

Certo dia, quando se dirigiam de Nazaré para Tur´an, resolveram jantar e pernoitar em Canã, depois de terem visitado a respectiva feira. Dirigiram-se a uma estalagem onde encomendaram o jantar e reservaram os quartos para dormir. A estalagem estava quase cheia pelo que só conseguiram dois quartos com uma cama em cada um deles; assim, ficou assente que Mateus e Isaias dormiriam numa das camas e Jesus e Pedro na outra.

Resolvido o problema da dormida foram jantar. Jesus tinha encomendado um borrego assado para os quatro e como gostava muito de comer rins ficou a pensar se os teria de dividir com os outros três companheiros ou só com Pedro, que também era um grande apreciador daquela parte do animal.

Foi lavar as mãos e quando regressou viu que o apreciado cordeiro assado já estava fumegante e apetitoso à sua espera em cima da mesa. Pediram vinho e pão para acompanhar e começaram a comer com vontade. Porém, quando Jesus foi à procura dos rins na carcaça do animal para fazer a divisão por todos ou só por aqueles que gostassem, não lhes encontrou nem a sombra. Viu logo que deveria ter sido o Pedro, que na sua ausência os tinha tirado e comido, pelo que perguntou:

- Pedro, onde estão os rins do borrego? Comeste-os tu?
- Não, senhor. O borrego não tinha rins.
- Mentes Pedro. Diz-me lá, que rês haverá que rim não terá?
- Não sei, Senhor.

Jesus nada mais disse em frente dos outro companheiros. Quando se foram deitar, Jesus ficou deitado na cama do lado da parede e Pedro do lado da porta. Foi então que recomeçou com o interrogatório.

- Pedro, tu comeste os rins. Não sabias que eu e, se calhar, os nossos outros amigos também quereríamos provar um pouco?
- Não comi , Senhor. O borrego não tinha rins.
- Mas Pedro, que rês haverá que rim não terá?
- Não sei senhor.

Assim continuaram nesta conversa pela noite fora. O estalajadeiro que ouvia aquele falatório e não conseguia dormir, depois de várias voltas na cama disse para a mulher:

- Aqueles dois não nos deixam dormir, mas espera aí que já vão ver como elas mordem.

Agarrou num pau foi direito ao quarto e enquanto ia dizendo, “Seus mariolas, não deixam dormir ninguém!” começou a malhar com o pau em cima deles. Pedro, que estava do lado da porta foi quem apanhou com as pauladas todas.

Quando o estalajadeiro se foi embora, deixando Pedro todo dorido, Jesus disse-lhe:

- Está a ver Pedro, isso foi o castigo pela tua mentira.
- Não menti Senhor. Se o homem deu as pauladas todas em mim foi porque eu estava do lado mais próximo da porta.
- Não foi não, Pedro. Foi castigo por teres mentido. Confessa lá: que rês haverá que rim não terá?
- Não sei, Senhor. Mas se o homem só bateu em mim foi por eu estar deste lado da cama .
- Está bem, Pedro. Troquemos então de lugar de lugar mas tens de cofessar que mentiste.

Trocaram de lugar e continuaram a discussão. Jesus perguntando sempre “Que rês haverá que rim não terá?” e Pedro respondendo com o “Não sei, Senhor”.

A verdade é que o pobre estalajadeiro que continuava sem conseguir pregar olho com aquelas vozes que lhe chegavam do outro quarto. Disse então para a mulher:

- Aqueles não aprendem, parece que querem mais pancada, mas já vão ver quem manda aqui. Há pouco levou o do lado da porta agora vai ser o do lado da parede.

E se bem o pensou, melhor o fez. Entrou pelo quarto dentro e mesmo com a pouca luz que havia dirigiu todas as pauladas para o lado da parede, deixando o pobre Pedro mais uma vez castigado.

Quando o homem se retirou, foi um Pedro todo dorido que confessou a Jesus o pecado da sua gula.

terça-feira, 26 de maio de 2009

História com cerejas


Naquele tempo andava Jesus pela Galileia espalhando a sua doutrina, visitando aldeias e feiras. Certo dia, ia pela estrada de Cafarnaum a caminho de Jericó, quando encontrou Zebedeu. Cumprimentaram-se e Jesus perguntou:

- Para onde vais Zebedeu?
- Vou à feira de Jericó – respondeu.
- Também me dirijo para lá. Caminhemos juntos então.

E lá seguiram os dois por aquela poeirenta estrada a caminho de Jericó. A certa altura, Jesus reparou que do lado da estrada em que seguia Zebedeu, estava caída no chão uma velha ferradura perdida por algum burro, pelo que lhe disse:

- Apanha essa ferradura, Zebedeu, que ainda nos pode fazer jeito.
- Não vale a pena Senhor, está velha e ferrugenta.

Jesus nada disse; deixou seguir Zebedeu e sem que ele visse, baixou-se, apanhou a velha ferradura e guardou-a rapidamente na algibeira do gibão.
Chegados à feira cada um foi à sua vida, não sem antes terem combinado uma hora e lugar para se encontrarem e encetarem a viagem de regresso a casa. Perto da hora do regresso Jesus foi a um velho ferreiro, vendeu-lhe a ferradura que tinha encontrado por 5 piastras e com esse dinheiro comprou um saco de lindas cerejas que guardou para comer no caminho.

A caminho para casa Jesus seguia na frente seguido por Zebedeu, que era um homem um bocadinho gordo de mais, e a quem o calor que fazia provocava muita sede. Foi então que Jesus começou a comer as suas cerejas, sem que o companheiro que vinha atrás se apercebesse. Comia uma ou duas e disfarçadamente deixava cair outra no chão.

O pobre Zebedeu que o seguia esbaforido e com sede, de cada vez que via aquela cereja que Jesus tinha deixado cair vermelhinha e a brilhar ali no meio da estrada, baixava-se, apanhava-a, limpava-lhe o pó na dobra do gibão e engolia-a sofregamente. E esta cena foi-se repetindo vezes sem conta, até se esvasiar o saco que Jesus tinha comprado. Quando acabaram as bonitas cerejas, Jesus parou, virou-se para trás e disse:

- Estás a ver Zebedeu... Aprende que eu não duro para sempre. Não te quiseste abaixar uma vez para apanhar a velha ferradura, e agora tiveste de te abaixar uma quantidade de vezes para apanhar as cerejas que eu tenho deixado cair e que foram comprados com o dinheiro da sua venda ao velho ferreiro.

Consta que ainda hoje, o mais lindo pomar de cerejeiras que se encontra na estrada que vai de Jericó para Jerusalém, terá sido plantado pelo velho Zebedeu depois desta viagem.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O que é?

Estive aqui a ver umas fotografias e lembrei-me de uma adivinha muito antiga, que já não faz tanto sentido nos dias de hoje, mas que te vou colocar a ver se consegues dar a resposta.

Se adivinhares tens um prémio, se não adivinhares pedes à mãe para te explicar.

É assim:

Verde foi meu nascimento
E de luto me vesti
Para dar a luz ao Mundo
Mil tormentos padeci.

Se acertaste o teu prémio é o dente que caiu ao André. Mentira... é um chocolate que o tio te vai dar!

sábado, 28 de março de 2009

Orgulho

Quem me houvera de dizer
Aqui há uns anitos atrás
Que ainda viria a ser
Uma Avó toda orgulhosa

Não é que a minha Neta Rita
Só com 9 anos de idade
Já mostra jeito pr'a escrita
Com bastante habilidade?...

Para além de belos contos
Cheios de imaginação
Agora até a Primavera
E a Tia do coração
A encheram de inspiração

E com alguma fantasia
Até já escreve Poesia.

Que VAIDOSA, que ORGULHOSA
Está esta Avó BABOSA
Que te enche de beijinhos
e também de abracinhos
do fundo do coração

domingo, 22 de março de 2009

A Primavera

A primavera cheira bem
as flores florescem e
as arvores também.
Mas ela também
Se vai embora tal como
O verão, o Inverno, o Outono e
O frio que há agora.
A minha tia marta
Que também cheira bem
É uma rosa que floresce neste minuto
E nesta hora.